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Post 39 - Meu diário - parte XVII - torturas - continuação

  • guifsalles
  • 18 de mar. de 2024
  • 18 min de leitura

Atualizado: 2 de abr. de 2024

Período 17/03/2024 a 27/03/2024.



17/03/2024 - São 00h11, tô assistindo NBA. Uma mulher diz, “sua vida é uma merda”. Fui dormir após às 01h00.


São 07h44, me acordaram e começou a falação. Voltei a dormir após xingar.


São 09h40, acordei. Estão falando mas estão bem baixas. Inaudíveis.


São 10h29, continua o mesmo cenário.


São 14h45, vozes baixas, inaudíveis. Parece um robô que fala sem parar.

Assisti vários jogos e ignorei as vozes.


São 21h40, desliguei o ar condicionado e as vozes foram minimizadas.


São 21h46, falam, “sua família inteira tem esse sistema”, “vocês brigam entre vocês e nem sabem”. Será que isso é verdade? Uma espécie de tortura coletiva provocada?


São 23h29, estou indo dormir.


18/03/2024 - São 00h11, me acordaram. Falam, “volta pra sua família”, e criam uma situação de que estou sem ar, estou tossindo agora. Bando de vagabundo sem serviço. Estou cansado e já estava dormindo. Essa merda não acaba, fica pior a cada dia. Parecem ficar fazendo testes.


Como esqueci de anotar escrevo agora, que hoje mais cedo na parte da tarde senti um choque nas costas e pernas causando um espasmo forte. É uma sensação horrível também.


São 00h16, dizem, “você está anotando tudo pra gente”, “ele entende tudo errado equipe”.

Sinto minha narina direita entupida mas não por causa de muco. Parece que sou uma cobaia de testes. Não estou aguentando mais isso. Eles riem.


São 01h45, continuo acordado. Não param de falar.


São 01h55, falam, “a Cida falou pra você comprar uma arma e se matar”, “capeta”, “Cida!”. Estou com dores na barriga do lado esquerdo e uma sensação de estar preso. Dizem que fazem isso a bastante tempo com minha família.


São 01h58, falam, “a polícia civil vai te matar”.

Sinto o lado direito do corpo tremer, como eu já relatei antes o ocorrido do lado esquerdo. Braço, face, costela e barriga tremem. Estou com calor e a sensação de prisão não passa.


São 02h05, ouço a voz da Cida dizendo “isso Salles”, se referindo a morte de um primo e que vai acontecer a mesma coisa comigo. São 02h06, falam, “sabe nada”.


São 02h10, falam, “você não vai no SIASS?”, “vai piorar”, “maluco”, “sabe nada que tá acontecendo na sua família”.


São 02h27, uma mulher fala, “aqui é a Sueli”, “Guilherme”. À pouco um cara me chamou de “Salicha”. Olhem a zona de informações que passam no intuito de me torturarem. Isso já está indo longe demais.


São 02h31, um cara grita, “vai se foder”.


São 02h33, falam, “ô Cida”, várias frases inaudíveis seguem. Só para atormentar.


São 02h48, um cara fala, “por isso que virei médico Salicha”. Parece ser o PRF Moisés.


São 04h23, tive que levantar e ingerir bebida alcoólica para dormir. Não dormi nenhum segundo desde que me acordaram às 00h11. São 04h24, falam, “mostra seu pinto pra mim”. Insistem numa coisa que nunca fiz. Não entendo porque pessoas torturam, colocam coisas que não existem como verdade e parece estar tudo certo.


São 08h02, me acordaram e voltei a dormir.


São 09h38, levantei.


São 10h40, sirenada de uma viatura na porta do hotel.


São 11h00, estou tomando banho e um cara fala, “matei toda sua família”, “viu o que é inteligência, Salles?”, “volta pra sua família”.


Almocei bastante salada e estou bebendo bastante água. E essa onda de calor faz a gente ficar mais mole. Meu braço direito está tremendo.


São 12h43, liguei o celular e conectei na internet, imediatamente começou a tremer minha barriga na área do estômago. Não é de hoje que falo isso. As vozes voltaram também. Voltou a sensação de estar preso que tinha sumido quando saí pra almoçar e voltei pro hotel. O que será essa merda?


Desliguei o celular. As vozes sumiram por um tempo mas foram voltando gradativamente.


19/03/2024 - celular desligado. Vozes não param. Dores e incômodos somente à noite. Não tive paz nem na rua.


20/03/2024 - São 13h56, voltei a ligar o celular. Cortei o cabelo aqui do lado do hotel. O barbeiro pediu para me fotografar mas recusei. Logo em seguida, depois que ele foi na rua conversar com um cara num Corolla branco apareceu um indivíduo inconveniente rindo e filmando e se aproximando de mim com o aparelho. Me filmou e não gostei da atitude. Só liguei o aparelho porque esse barbeiro não tinha troco e enviou via Pix para mim. Eu ia fazer o pagamento via Pix devido a isso mas ele não deixou. Acho que tudo foi forçado demais, mecânico, pra atingir um objetivo. Fica registrado e caso minha imagem for usada pra algum fim, é processo, pois não autorizei minha filmagem.


Esse tempo que o celular ficou desligado tive que ouvir as mesmas coisas de sempre mas o mais falado foi “mostra o seu pinto pra mim”, “maluco”, “chupa”, e falaram os nomes de sempre.


São 16h07, alterei minha conta do Instagram para público. O objetivo agora é divulgar mais ainda as torturas que estou sofrendo mesmo que eu seja ridicularizado.


São 16h27, envio uma mensagem para o jornalista Cabrini da Record em mais uma tentativa de esclarecer o que está ocorrendo comigo. Não sei se terei resposta.

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Transcrevo abaixo a mensagem:


Boa tarde Cabrini,


Primeiro quero te elogiar pelo trabalho excepcional que vem desempenhando ao longo do tempo.


Depois deixar meu blog para sua apreciação. Não sei se sou digno de sua atenção mas como cidadão tenho o direito de pedir ajuda antes que seja tarde.


Quero dizer que não sou doente mental e luto completamente sozinho contra isso. Fui cancelado socialmente por um sistema oculto dentro dos governos.


Não me considero mais um cidadão pois virei uma espécie de cobaia. Se existir algum tipo de ajuda que possa despender comigo eu agradeceria.


Acho que querem me forçar a aposentar dentro do governo federal sendo que nunca pedi tal interferência. Tem algo errado.


Um grande abraço.


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São 16h30, falam, “você é maluco”, “ninguém vai acreditar em você”.


São 18h00, atualizei meu Instagram.


São 18h24, as vozes baixaram de repente. Não gostaram de eu ter aberto meu Instagram e ter adicionado jornalistas. Estão com medo de responder. Provavelmente já estão articulando para simular alguma situação que me prejudique. Só que se eu for preso novamente, e mais uma vez injustamente, saibam que foi uma retaliação por medo de assumirem o erro deles. Da última vez nem advogado tive direito, eu fiquei completamente sozinho. Ficou tudo a cargo das pessoas que estão me torturando. Cercearam meu direito de ter um advogado. Até os piores criminosos tem advogado. Porque será que só está acontecendo comigo?


Mas uma coisa é excelente na minha vida, não ter que ficar ouvindo seus colegas de trabalho reclamar uns dos outros todos os dias e não ter que ver uma cobra engolindo a outra. Esse é o ponto positivo de não ter de trabalhar na PRF.


Como eu queria ser maluco ou doido, já teria feito merda e jogado o fato na cara de um juíz na audiência de custódia. Como eu queria, já teria resolvido muitos problemas e alegado insanidade. Seria conveniente demais. Como eu queria ser maluco.


São 23h21, dizem, “você tem que fazer o que o Jeferson fez”, “resolva o problema”.


21/03/2024 - São 01h54, já fazem barulhos à cerca de 10 minutos. Não ouço vozes, parece uma tentativa de chamar a atenção para eles. São zombeteiros físicos. Nunca imaginei que existissem zombeteiros físicos, mas fazem barulhos, arrastam móveis, andam sem parar, são terríveis. Porém, sei que são pessoas não espíritos.


São 08h00, acordei. Tinha ido dormir depois de assistir The Chosen e o programa do Danilo Gentili.


São 11h40, almoço com a falação desses demônios. Uma mulher fala, “mostra seu pinto pra esse cara aí na sua frente”.


São 13h25, uma mulher diz, “mostra seu pau pra mim Salles”. Voz idêntica a da Cida. Estou com dor de cabeça que não cessa.


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Desabafo


Atendi um acidente na BR381, km 511, salvo engano, onde um policial militar conduzia seu veículo sentido Igarapé e acabou por colidir em outros veículos sendo o causador do acidente. A câmera da concessionária gravou o acidente apesar de distante. Depois de provocar o acidente o policial militar fugiu do local sem prestar socorro e sem prestar informações. Quando cheguei no local do acidente comecei a ouvir os colaboradores da concessionária e os envolvidos no acidente. Um casal me disse então que foram atropelados pelo policial militar na tentativa de fugir do local do acidente. A imagem da câmera não mostrava esse atropelamento. Mas depois que atropelou esse casal o PM parou mais à frente no acostamento e foi abordado novamente, desta vez pelo homem que havia sido atropelado. Disse que começaram a discutir e que o PM acelerou o veículo pra cima dele novamente e fugindo definitivamente do local do acidente. Diante disso copiei o vídeo e gravei num processo SEI para que pudesse ser consultado futuramente para dirimir dúvidas. No canto inferior esquerdo da imagem onde mostra o veículo estacionado no acostamento é possível ver uma confusão e algo que parece ser o atropelado caindo em direção à defensa metálica. Deixo registrado essa situação pois pode ser fato que me prejudicou por se tratar de um policial militar com vários amigos na PRF, em Betim e Igarapé.


Pode ser que esse vídeo que anexei no processo tenha sumido ou estejam me colocando como maluco pra desacreditar as ocorrências feitas por mim. Será que o processo com esse vídeo ainda existe? Não tenho como conferir pois não tenho mais acesso aos sistemas da PRF.


E é perfeitamente possível que a ocorrência da PM que me tirou de casa em 2021, tenha sido uma retaliação por eu ter feito meu trabalho da forma correta.


E existe outra ocorrência que anotei na Parte Diária Informatizada, que é um livro de registros eletrônicos. Deixei registrado que o serviço de escolta, contratado para velar por uma carga derramada na serra de Igarapé, que estava sob supervisão de um policial militar a paisana, não estava fazendo o trabalho da forma correta. Vários saqueadores da carga estavam nas imediações e continuavam saqueando sem que fossem repelidos. Enquanto isso meu colega PRF estava dentro da viatura fazendo selfie e vídeo. Diante da minha impotência saí do local, entrei na viatura e o colega dirigiu de volta. Fiz o registro para me resguardar da situação principalmente se houvesse questionamentos da seguradora da carga. Pedi os dois colegas, Coimbra e um careca, que estavam de plantão comigo para lerem o que escrevi, mas se recusaram a ler. Tempos depois fui obrigado a ouvir o Dias e a Cida mandarem uma indireta, quase direta pra mim, dizendo que tudo que se escreve na PDI tem que ser apurado, que não se pode escrever qualquer coisa, ainda mais porque estaria prejudicando alguém, no caso era o PM. Mais uma vez fiz meu trabalho da forma correta e fui retaliado. Até hoje não sei o que aconteceu com esse registro, será que levaram pra frente?


Em outro momento, em uma operação noturna no km 492 sul da BR381, em que estavam eu, Cida, Samuel e Sampaio, abordei um carro conduzido por um policial militar. O veículo estava com o licenciamento atrasado e então fiz o meu trabalho, fiz a multa e recolhi o veículo para o pátio. Depois, por trás e próximo de Cida e Sampaio, ouvi os dois comentando que eu não gostava de ninguém e que eu não tinha considerado o fato do cara ser policial. Mais uma vez fui recriminado pelos colegas, pois era pra eu ter aliviado ou ignorado a situação. Porque será que não falaram na minha cara o que pensavam?


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São 17h54, continua a falação. Uma mulher diz há pouco ser a Tita.


Ignorei os falantes. Percebi que falavam sem parar.

São 21h14, falam, “você vai sofrer tudo que já fez”, “isso é justiça”.


São 22h04, falam, “porque a Cida ia interferir na sua vida?”.


22/03/2014 - São 00h25, falam, “vamos fazer você ter câncer”.


Acordei por volta das 07h30. A falação continua.


A falação continua, nem preciso dizer.


São 13h16, falam, “há muito tempo…”, restante inaudível ou não foi falado. Estão infernizando minha cabeça.


Falação continua.


São 16h33, falam, “você é bicha meu filho”. Então respondi, “prove”.


São 16h41, um cara fala, “você sabe se a Sueli conhece a Marcela(o)?”.


São 17h03, uma voz feminina bem baixa diz, “eles vão te matar meu filho”.


São 17h20, uma mulher fala, “como você sabe tudo isso Salles?”. É impossível focar ou prestar atenção no que eu estou fazendo. Vem muitos sons na cabeça, meu olho direito dói. Já prevejo que essa noite vai ser terrível.


Feriado hoje em Contagem.


Vi uma reportagem mostrando o uso de satélites para detectar vazamentos de água no subsolo. Até aí tudo bem, mas será que não são utilizados para ouvir pessoas? Lembro que o irmão do Alisson, trabalha no Estado de Minas Gerais e é geólogo. Será que descobri algo que pode estar me escutando onde eu for? Via satélite? Deixo registrado mais essa desconfiança.


Fui dormir antes do Globo Repórter. Queria muito ver o programa mas essa merda de BBB não acabava nunca.


23/03/2024 - acordei várias vezes à noite. Foram batidas no quarto de cima, várias vezes durante a madrugada, arrastamento de móveis e sonhos que na verdade não são sonhos. Levantei por volta das 08h40.


Tenho um compromisso com meus filhos. Almoçar nós três.


Aplicativo Uber perdeu conexão, ao mesmo tempo passa uma viatura S10 da PM com um policial só e chega o Uber. Tudo ao mesmo tempo.


São 17h00, assistindo o jogo do Brasil. As vozes continuam, baixas mas existentes. O som ou sinal de frequência na cabeça continua.


Advogado do sindicato da PRF começou a me seguir no Instagram. Cito ele no meu Blog. Será que para interesse próprio ele consegue trabalhar? Porque pra mim nunca até hoje nada, apesar de eu pagar sindicato desde 2006.


São 17h06, lembrei de uma frase da Cida para comigo, “a inteligência da PRF não persegue servidores”, logo depois que ocorreu uma reunião com o superintendente Territo e eu havia enviado perguntas para a reunião. Claro que sabiam que fui eu que mandei, mas o intuito era esclarecer algumas questões em que eu tinha dúvida é poderiam ser as dúvidas de muitos policiais. Não sei a resposta até hoje, mas sei as opniões deles para as minhas perguntas.


São 19h31, estou pensando sobre os problemas que minha família sofreu desde que conseguiu o lote no Novo Horizonte. Tudo que passamos e o quanto os vizinhos nos prejudicaram. O quanto eu pedi pra nossa família denunciar as coisas que vinham fazendo contra a gente, mas preferiram ficar quietos. Nesse instante minha barriga tem três vibrações fortes e inicia uma dor. Desliguei o celular e parou.


São 20h34, um cara fala, “sabe tudo que vai acontecer na sua vida Salles”. Estou tentando abrir o Prime na tv do hotel para assistir o jogo de basquete da NBA e não funciona. Até hoje nunca tinha dado problema. Já tentei três vezes e não funciona. Estou sofrendo retaliações pelo que venho escrevendo no meu Blog.


São 20h42, ainda estou tentando assistir o jogo. A tv tem travado e dando erro. Nesses meses no hotel nunca aconteceu isso até hoje. Lembrando que hoje é sábado e o hotel está vazio.


São 20h47, o problema da conexão continua. Mas as vozes funcionam. Muito interessante. Conexão lentíssima.


Fui dormir após às 02h30 porque estava assistindo um filme no SBT.


24/03/2024 - São 05h40, me acordaram, uma mulher com a voz da Salete diz, “o Brasil inteiro quer te ouvir Salles”. Tive que correr ao banheiro e menos meus olhos estão piscando “flashs” como num show de fogos.


Me acordaram perto das 07 horas.


São 07h58, me acordaram de novo.


Passei o dia com ignorando as vozes. Surgiram vozes diferentes. Não quis ficar anotando as frases que falavam. Durante a noite ocorreram dores nos olhos e incômodos na região da barriga e testicular. Fui dormir durante o programa do Cabrini na TV Record sobre o país Mali.


25/03/2024 - me acordaram por volta das 06h40.


São 07h05, falam, “não tem como rastrear”. Teve porrada na parede ou teto bem forte.


São 11h50, uma mulher diz, “você não perde por esperar”.


São 15h02, continua a falação.


Tarde e noite ignorando ou xingando esses filhos da puta. Às 16h05 teve porrada forte na parede vinda do quarto do lado. Percebo que é a mesma pessoa e que ela não muda de quarto. Hoje de manhã vi todos os quartos abertos, sem hóspedes. Sei que não estou incomodando mas não entendo essa perseguição e esses barulhos. No apartamento do Filadélfia era a mesma coisa com dois inquilinos diferentes. Devem ser provocações. Se forem, existem desde 2021. Quanto tempo!


São 23h00, estou fazendo uma cruzadinha e essas merdas não param de sugestionar. Me atrapalham até me divertir e pensar. Corruptos! Tudo querem passar a perna ou enganar, levar vantagem.


São 23h22, uma mulher com voz esquisita diz, “eu sei que você é maluco”. Mais cedo, em outro horário, me chamou de bicha. Mandei para aquele lugar.


Só não estou namorando uma mulher porque não deixam, me atrapalham, melam, empatam a foda dos outros. Além de curiosos mórbidos são invejosos e não é de hoje que vem atrapalhando minha vida. Não entendo o motivo. Parece ter iniciado em 2013 mas agora estou revendo minha vida e vendo que podem ter me atrapalhado há mais tempo.


26/03/2024 - acordei por volta das 07h55. Imediatamente começou a falação. Me chamaram de Salicha.


São 10h30, estão me infernizando. Não param de falar. Chamaram por Cida e elogiaram o Dias.


São 10h52, uma mulher diz, “a Cida não queria fazer isso com você”, “ela só tá investigando”.


São 10h55, falam, “você vai ter que explicar tudo isso Salles”. Respondi, “com certeza”.


São 20h50, começaram os problemas de conexão da TV.


Fui dormir durante o jogo do Dallas e Sacramento.


27/03/2024 - São 05h45, me acordaram pra ficar falando o mesmo de sempre. Disseram que estavam ali Moisés e Fabrizia. Meus olhos tremulam e é impossível dormir. Está voltando as torturas físicas na madrugada, principalmente, a privação do sono. São várias vozes como se estivessem reunidos e me julgando. Disseram que eu merecia isso e que odeiam minha família. Falaram alguma coisa de mulher, feminismo. Ignorei completamente. Pra mim parece um monte de vagabundos sem serviço que adoram torturar pobres.


São 06h04, falam, “você não sabe de nada”, “tadinho”, “aqui é polícia federal”. Me mandaram masturbar, falaram que me amam, riram. Me chamaram de Salicha.


Lembrando que quem me chamava assim no trabalho era a Tatiana, criadora do apelido infeliz, e Moisés, que mais fazia uso do apelido. Eu tolerava mas não gostava. Mais um assédio constante que eu sofria no trabalho.


São 06h06, falam, “aqui é a família da Sueli”.


São 06h08, falam, “você é muito burro”, “Salles…”, inaudível, e continuam. Muitas frases inaudíveis.


São 06h11, uma mulher diz, “deixa eu te mostrar o que o Dias fez”.


São 06h14, falam, “sabe de tudo ele?”, “ele sabe”, sinto dores na barriga. Riem.


São 06h22, continua a falação. Cansado disso.


São 06h40, tive que correr pro banheiro.


São 07h05, falam, “tá vendo, Salicha sabe todas as coisas do mundo”.


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Desabafo


Vou falar mais um pouco do ambiente de trabalho na PRF já que estão citando nomes de PRFs.


Já comentei aqui sobre o acidente com atropelamento de um policial militar de Igarapé. Essa ocorrência de acidente foi lida pela Michele num dia em que a esposa do PM foi até o posto PRF de Betim. A esposa dele também é PM e o carro estava no nome dela. Como a gente não trabalhava mais na mesma equipe, ela foi me contar isso em dias posteriores. Michele disse que leu a ocorrência e comentou com o marido Marquinhos. E que haviam descoberto que esse policial militar era suspeito de roubos de carga. Ontem vi esse policial na TV numa ocorrência em Mateus Leme, ou seja, continua trabalhando normalmente.


Enquanto isso eu continuo sendo torturado e afastado do meu emprego. Hoje tenho aversão e medo de voltar para meu próprio trabalho, que lutei tanto pra conseguir.


E por falar em Michele, casada com P2, lembrei que ela e a Tatiana ficaram citando ocorrências minhas para no final dizerem que eu era agressivo, tudo dito de forma indireta mas pra bom entendedor meia palavra basta. Vejam o ambiente de trabalho que eu estava inserido.


Em outra oportunidade, tomando um café no Posto Juá e conversando com o Ávila, ele me perguntou se eu tinha interesse em ir pra inteligência. Imediatamente respondi que não, que não era o que eu tinha em mente, e que não gostei da forma do suposto curso que montaram chamado de alinhamento. Eu nunca fiz curso dessa matéria e era o único. Em seguida perguntei pra ele sobre trabalhar nos grupos táticos, como o GPT, e ele respondeu que gostava mas que por falta de afinidade com alguns integrantes iria sair. Disse que o Alessandro era preguiçoso, não ajudava nas ocorrências como deveria mas falava muito, ou seja, tinha uma espécie de “status”. Ele saiu do grupo tático.


Outra situação chata que também envolve relações humanas é o fato da Cida ficar reclamando do Eônio como chefe de delegacia dizendo que ele era incompetente, um péssimo chefe, que não resolvia nada. E Eônio é da minha turma de formação na PRF.


Outra situação o Dias, como chefe de delegacia, reclamando das postagens no WhatsApp do Vieira. Ele dizia que não aguentava mais ver o Vieira retrucar e reclamar de tudo que a delegacia enviava nos grupos. Dizia que ele não sabia de nada e que tinha que virar chefe pra ver o que é bom. Dava a entender que fariam a mesma coisa com ele quando fosse chefe.


Por falar em Vieira, eu e ele fomos escalfados pra operação em Minas Gerais que envolvia PM e PRF. Ao invés de nos deixarem em uma rodovia federal fomos escalados para a MG-050 em Mateus Leme no posto da PMRv. Tanto Vieira quanto eu nos sentimos perseguidos pela chefia da delegacia. O chefe era o Dias. Pra piorar a situação nos deram a pior viatura, que nos deixou na mão ainda no início da operação. A viatura desligou sozinha pois estava sem bateria e tivemos que pedir auxílio a PM pra fazer uma “chupeta” e não mais desligar a viatura.


Dias também reclamava muito do Aroldo mas não sei o motivo. Parece que Aroldo o irritava demais.


Já naquele suposto curso de inteligência quem foi muito criticado foi Adailson. Denis e cia criticavam as posturas que Adailson tomava, que não gostavam do trabalho dele. Quanto a isso Cida e Dias falavam sempre, já que ouvi deles várias vezes, que Adailson era alcoólatra e já tinha chegado a trabalhar bêbado. Que ele era causador de problemas e até frequentou o AA.


Bom eu citar o PRF Marcos II. Não o conhecia direito mas era da área de informática. Ele chegou a fazer um sistema pra PRF de Minas Gerais chamado SIIO. Esse sistema não possuía criptografia no banco de dados e por isso cheguei a ver vários PRF da chefia da delegacia alterando dados diretamente no banco de dados, sem registro. Não sei dizer o nível de permissividade. Era possível ver os dados de todas as ocorrências e senhas de todos os PRFs? Sei que Brasília era complacente com esse sistema que não atendia qualquer requisito de segurança ou auditoria, por exemplo. Nenhum sistema pode permitir que alguém altere o banco de dados sob pena de ser considerado não confiável.


Certa vez desconfiei que alguém tinha utilizado minha senha mas deixei passar e não me aprofundei na questão. Lembro que alguma informação que eu havia inserido no sistema havia se alterado, talvez na minha folha ponto, que foi motivo de discussão entre eu e Dias. Por fim eu estava errado e perdi a discussão. Porém até hoje desconfio do que ocorreu.


Continuando a falar de Marcos II, certa vez virou pra mim e disse que se ele quisesse poderia ver tudo na tela do celular de qualquer PRF. Não tinha intimidade com ele e nunca havíamos conversado antes. Estranhei a fala dele mas hoje sei que muita coisa que eu fazia nos meus celulares, tanto o pessoal quanto o funcional, eram alvos de sabotagem. Posso citar os problemas de senha que vinha tendo desde 2014 que me causavam vários problemas. E como já relatei aqui, perdi acesso a várias contas de redes sociais e e-mails, e até suspeito de clonagem do meu WhatsApp. Eu não confiava nesse cara.


E pelo que falam na PRF (rádio guarda), ele responde por vários casos de assédio sexual no órgão. Um deles por assediar uma ex secretária da delegacia metropolitana, Lorena.


Por falar em assédio, colocaram o Sarmento na equipe da Cida em Betim. Segundo ele mesmo, responde por importunação sexual na justiça. Uma das vozes que cheguei a ouvir é muito semelhante a do Sarmento.


Mas o que mais estranho no quesito informações é o fato da PRF criticar seus policiais a não divulgarem o nome do sistema AB, sistema de câmeras das rodovias para ninguém. Não se pode falar o nome do sistema ou dizer como funciona mas todo mundo tem conhecimento, é público. A própria PM divulga seu sistema de câmeras nos telejornais sem nenhum problema.


Por várias vezes eu e outros PRFs deixamos registrado no sistema de livro eletrônico (PDI) tentativas de um suposto PM de alta patente, por telefone, tentar obter informações dos sistemas da PRF, principalmente placas de veículos que passaram em determinada região. A própria PRF disseminou e-mail informando sobre esse suposto PM e que era pra fazer os devidos registros.


Porém, policiais militares, policiais civis, e outros, tem conseguido acesso às passagens de veículos pelas rodovias, bastando se apresentar em qualquer posto PRF, pelo menos aqui na região metropolitana de Belo Horizonte e dizer que é policial, que está fazendo uma investigação ou qualquer outro motivo. Vi, por diversas vezes, PRFs consultando e passando dados para policiais diversos sem qualquer registro dessa consulta. A PRF tem assumido o risco de passar informações de passagens de veículos sob pretexto de manter boa relação com outras forças policiais. Mas todo policial que pede, não de ofício, essas informações, são completamente honestos?


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São 07h58, uma mulher acha ruim de eu ter escrito meu desabafo acima.


São 08h24, uma mulher diz, “tadinho do Adilson”.


São 09h30, uma mulher diz, “a Sueli é experiente demais”. Piranha e mentirosa, isso que ela é, respondi.


São 10h15, um cara fala, “aqui é da polícia civil mesmo”. E uma mulher diz, “tadinho do Gustavo”.


Hoje é aniversário da minha mãe e não posso ligar para ela por conta dessa medida protetiva que inventaram. Minha mãe não tem telefone celular e minhas irmãs não permitem que eu fale com ela, pois sabem que eu estaria infringindo a medida protetiva que elas, minhas irmãs, criaram. Uma tremenda sacanagem que fizeram nessa polícia civil. Um verdadeiro teatro ordenado para prejudicar a mim e também minha família. Digo minha família, pois foram orientados, ludibriados, influenciados por alguém. Qualquer hora eu descubro quem.


Ainda tenho que lembrar que depois dessa aberração de medida protetiva ainda teve delegado produzindo documento que relata que eu afirmo ser esquizofrênico. Nunca disse isso e nunca fui diagnosticado com isso. Um monte de mentira que o Estado permite que ocorra por que são considerados autoridades. Interessante desse dia na delegacia da polícia civil é a pessoa que foi pra lá acompanhar a situação, Maria Chaves (Cida) e a pessoa que não foi pra lá, um advogado. E é bom deixar claro, para me resguardar, que nunca assinei documento algum onde eu declaro ser doente mental, dessa forma, se ocorreu foi nesta data e por intermédio da escrivã. Aproveito pra deixar registrado que enquanto eu dava meu depoimento pra escrivã, depoimento esse sem nenhum cunho de doença mental, apenas o ocorrido acerca da medida protetiva, vi que havia um indivíduo sentado e ouvindo o que eu falava, ou seja, acompanhando todo o procedimento. Cheguei a perguntar a escrivã quem era esse rapaz e ela disse que era o filho dela. Pode um terceiro acompanhar depoimentos numa delegacia? Sem pedir permissão para o interessado? Sem ser afim da atividade policial? Dá pra perceber como é essa polícia civil, não tem regras, não tem chefia, não tem delegado no recinto. Porque não deixam então a imprensa acompanhar todas as oitivas de pessoas? Só acontece com o pobre sem advogado aqui.


Que raiva que eu estou dessa farsa toda.



 
 

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